Afinal, o que nos faz humanos? Para além do aspecto biológico - taxonômico, talvez seja a palavra mais precisa -, sem dúvida são nosso modo de estar no mundo e nossa forma de olhar para a existência. Nossa condição nos permite ir além do que se apresenta para nós a partir da ação da natureza - que, claro, também nos inclui, mas sobre a qual muitas vezes buscamos agir. O que, então, é possível? Até onde pode ir nossa ação sobre essa vida maior que nosso corpo e que constitui o planeta que integramos? Além disso, como tornamos nossa existência mais significativa e plena? Como bem nos alerta Ailton Krenak, muitas vezes reduzimos nosso viver a obrigações, sofrimentos e desencantamentos. Essas são questões que emergem no perfil do artista da capa do JU Cultura desta semana: Ário Gonçalves nos conduz por essas reflexões em sua obra e em sua trajetória de vida. Nesse mesmo sentido, uma reportagem traz iniciativas da Universidade que promovem o acesso de mulheres à justiça. Se historicamente elas foram postas em posição dominada, sem dúvida o sentido da existência feminina passa pela ocupação plena de espaços – com o amparo da proteção judicial quando necessário. Essa luta que as mulheres vêm empreendendo nas últimas décadas muito tem nos ensinado como humanidade. Outra matéria apresenta projetos e iniciativas que promovem atividades culturais no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, o que nos leva a refletir sobre o direito à vivência poética e estética, ao entretenimento, à formação ampla e, claro, à convivência – elementos estes de nosso existir que geram, no plano do imaginário e das memórias, muito do que somos. Na seção de artigos, essas questões sobre como vivemos e significamos a vida seguem com um ponto de vista no acalorado debate sobre a convivência entre moradores e frequentadores da boemia na Cidade Baixa, com uma análise que cruza as importações de fertilizantes pelo Brasil e a produção agrícola nacional e com uma reflexão sobre a formação de profissionais para trabalharem com artes cênicas na educação básica. Na divulgação científica, uma pesquisa que trata de saúde coletiva, mais especificamente da incidência e dos perigos do diabetes entre jovens e da importância do acesso aos cuidados básicos em saúde. E, no destaque da agenda cultural, a estreia de um curta-metragem que trata do tempo, organizador de nossa vida. A partir da próxima semana, passada a sequência de feriados, voltamos a publicar nossas edições às quintas-feiras. Boa leitura e até o dia 28 de abril! |